Bonga Kwenda : um combatente angolano da liberdade africana

O meu interesse pela figura do Bonga não é de ordem artistica,
musical ou jornalística, mas sim filosófica.
Bonga pertence às gerações de homens e mulheres africanos
de diversas proveniências que, estimulados pelos líderes dos
movimentos do Panafricanismo, da Négritude e pela geração
dos Pais fundadores das nações africanas modernas e
contemporâneas, utilizaram a arte e a música de modo particular
como instrumento pedagógico de luta a favor das
grandes causas humanas e africanas em particular. Como
pensar filosoficamente esta grande figura de artista e músico
africano de origem angolana na conjuntura política e geopolítica
continental africana, internacional e mundial hodierna?
Enfim, porquê interessar-se do Bonga nesta difícil tarefa
do renascimento africano no qual os principais desafios são
a construção da paz, justiça, reconciliação e desenvolvimento
integral dos diversos povos africanos? Que problemas
existem ainda hoje que nos obrigam a reconsiderar esta
figura de artista e músico como pedagogia para analisar as
nossas independências, mas sobretudo como ícone, símbolo
a partir do qual repensar o problema da paz, da justiça e da
reconciliação particularmente nos países africanos de língua
oficial portuguesa (PALOP), ou mais precisamente, como
símbolo a partir do qual repensar a delicada questão da purificação
da memória histórica nestes países? Esta é a grande
preocupação deste livro.